|
Algumas
familias Mineiras, Tradições e Costumes
Marcelo
M. Guimarães
Gostaria de dedicar este capítulo aos descendentes
de judeus, marranos e cristãos-novos, que residiram no Estado
de Minas Gerais, não desmerecendo com isto, a significante
presença deste povo no Estado da Bahia, Pernambuco e Paraíba,
por exemplo. Com dissemos, anteriormente, as Minas Gerais
de ouro, esmeralda e diamantes atraíram os judeus e cristãos-novos,
que vieram dos estados do norte brasileiro, de Portugal e
de outros países, como Espanha e Itália. O grande fato é que
o elemento judeu deixou um relevante legado no caldeamento
étnico do Brasil colônia. Por isso, o tronco étnico do povo
brasileiro é riquíssimo e, pode até ser considerado um fenômeno,
a miscigenação de raças e costumes. O escritor Manuel Diegues
Júnior expõe no seu livro “Regiões Culturais do Brasil”o seguinte
parágrafo:...”A esses grupos portugueses ou lusos brasileiros
ou, pelo menos mestiços com algum sangue português, ajuntaram-se
os estrangeiros que foram em grande número nas Minas. À presença
deles já se referia Antonil: confirmam essa participação as
modernas pesquisas do Professor Manuel Cardoso. Embora não
sendo em grande número, segundo informa o professor Cardoso,
exerceram os estrangeiros, influência significativa na economia
e na vida social da região. E, acrescenta Gilberto Freire
que tudo parece indicar teriam sido esses estrangeiros, principalmente,
negociantes, usuários ou intermediários, vários Deles judeus
ou israelitas. De judeus sabe-se que foram numerosos os que
apareceram e fixaram em Minas Gerais. Augusto de Lima Júnior,
no seu estudo sobre Minas, localizou as maiores aglomerações
de judeus: Paracatu, Serro Frio, Sabará, Pitangui, aredores
de Ouro Preto e Mariana. O que não exclui outros pontos, ou
todos os pontos mineiros por onde se espalharam como donos
de comércio, rancheiros, compradores de ouro de contrabando,
cambueiros de negros e ambulantes mascates. Chegaram os israelitas
a constituir verdadeiros guetos, ainda hoje reconhecidos pela
inexistência de capelas, em suas ruínas. Através de casamentos
com portuguesas ou lusa-brasileiras, acabaram-se diluindo-se
na população, inclusive participando de irmandades religiosas...”(1)
Segundo a autora do livro “A Inquisição em Minas Gerais”,
Neusa Fernandes, da Editora da Universidade do Estado do Rio
de Janeiro, podemos ver claramente através do seu trabalho
de pesquisa junto a cartórios, documentos antigos, etc. a
relação de algumas das cidades mineiras e seus moradores registrados
como cristãos-novos no período de 1712 e 1763. (Devido ao
volume de nomes e sobrenomes, gostaria apenas de citar as
cidades e os sobrenomes que foram de maior ocorrência). Em
Brumado: a família Azevedo. Em Cachoeira: Pereira da cunha,
Fernandes de Matos, Rodrigues, Moreira, Henriques, Nunes e
Sanches. Em Caeté: Nunes Ribeiro, Bicudo, Barros e Fonseca.
Em Catas Altas: Ferreira Izidro (Isidoro), Pereira Chaves.
Em Congonhas do Campo: Moraes e Oliveira. Em Córredo do Pau
das Minas de Arasualhy: Pereira, Ávila e Fernandes Pereira.
Em Curralinho: Miranda, Roiz, Rodrigues, Nunes, Henriques,
Lopes Álvares,, Mendes e Mendonça. Em Diamantina ( antigo
Tijuco):Ribeiro Furtado, Fernandes, Dias Correa, Rodrigues
e Nunes. Em Fornos: Rodrigues Cardoso. Em Itaperava: Sá Tinoco.
Em Minas de Arassuahi: Fernandes Pereira, Costa e Silva e
Henriques. Em Em Minas Novas de Fanados: Lara, Fonseca da
Costa e Ferreira. Em Minas Novas de Paracatu: Ribeiro Sanches,
Henriques, Nunes e Britto Ferreira. Em Ouro Branco: Lopes.
Em Ouro Preto ( antiga vila Rica): Miranda, Fernandes, Pereira,
Nunes Gomes, Fróes, Rodrigues, Moraes, Costa, Cruz, Mendes,
Almeida, Vale, Roiz e Martins. Em Parapanema: Afonso e Miguel.
Em Pitangui: Pereira da cunha, Rodrigues, Roiz, Nogueira,
Silveira, Bicudo e Henriques. Em Ribeirão do Carmo ( Mariana):
Miranda, Almeida de Sá, Dias Fernandes, Rodrigues Pinto, Roiz,
Cardoso, Pereira Chaves, Oliveira Mattos, Pereira da Cunha
e Mendes. Em Rio das Mortes: Miranda, Azevedo, Vale, Machado
Coelho, Pereira de Araújo, Lara, Nunes Alves, Benar, Vizeu
Em Sabará: Miranda, Oliveira, Matos Henriques, Lucena Montarroio,
Rodrigues Pinto, Nunes de Almeida, Henriques, Ferreira, Costa,
Mendes de Sá e Ferreira Isidoro. Em São Caetano: Rodrigues.
São Jerônimo: Rodrigues de Faria. Em Serro Frio: Cunha, Medanha
Sottomaior, Sá de Almeida, Fernandes Pereira, Ribeiro Furtado,
Gomes Nunes, Costa Pereira, Lopes de Mesquita, Paes Barreto.
Em Sumidouro: Fróis A relação das cidades e sobrenomes acima
constitui apenas um exemplo dos mais evidentes, não significando
necessariamente, que não existam outros sobrenomes utilizados
pelos cristãos-novos, bem como em outras localidades. Da mesma
forma, não quer dizer que todo sobrenome Fernandes, Oliveira
ou Pereira sejam necessariamente também de cristãos-novos.
TRADIÇÕES E COSTUMES Antes de abordar o tópico acima, gostaria
de mencionar um pouco algumas semelhanças antropométricas
do povo interiorano mineiro citado por Elias José Lourenço
em seu livro “Judeus: os povoadores do Brasil colônia” (2),
tais como: ...” face longa e estreita ( cara de cavalo; alcunha
feita aos mineiros em referência ao aspecto físico da face
longa e estreita). O índice cefálico nos deixa a primeira
impressão de dolicocefalia; cabelos e olho, quando não escuros,
são castanhos; a estrutura no geral é pequena: entre 1,60
e 1,68metros. O nariz perdeu muito da convexidade, mas não
deixa de ser leptorrino na maioria dos casos. É claro que
a estereotipagem de um perfil humano é levado por via da antropometria
não deixa de soar ridículo, principalmente, quando se refere
aos povos do novo mundo, ainda mais se tratando do povo brasileiro,
uma raça tão miscigenada. Mas, em resposta aos argumentos
e tendências racista de certos historiadores legaram para
a história do elemento povoador e colonizador do Brasil, às
vezes, é preciso o extremo de usar as mesmas táticas para
mostrar exatamente a outra face de verdade outrora falseada
da nossa história. Sobre o aspecto étnico-cultural do mesmo
povo supra citado, os mineiros descendentes dos emboabas,
reinóis e numerosos pernambucanos e baianos chegaram para
as Minas Gerais pelos caminhos do São Francisco, não é difícil
identificar muitas semelhanças com a cultura e com alma do
povo judeu; trocadilhos estabelecidos para os mineiros dando-lhes
características, tais como: “todo mineiro é pão duro”... ou
diz-se ser “o mineiro não abre a mão nem para dar tchau”...,
são formas de caracteriza-los como semíticos, ou uma forma
bem humorada da identificação entre as diversas culturas,
longe de serem expressões pejorativas. O fato é que a alcunha
de pão-duro é empregada a dois povos aqui no Brasil: Aos mineiros
e aos judeus. Seria esta mesma identificação uma herança étnica
que os mineiros herdaram dos judeus e cristãos-novos, quando
cresceu o afluxo destes para a região de Minas no final do
século XVII e começo do século XVIII?” Dentro de alguns costumes,
eu mesmo me lembro bem de meus antepassados que viveram no
interior de Minas, como: - Tradição de casamento com consangüíneos
por longas gerações, desde os tataravôs, bisavós, avós e pais.
Era comum so pais escolherem o noivo ou a noiva para seus
filhos; - Tradição de seguir as fases da lua (Salmos 104:19),
correlacionando-as com o ciclo agrícola. Para quem não sabe
isto é bíblico, como por exemplo a Festa da Lua Nova ( Colossenses
2:16) para marcar a entrada do novo mês. O calendário judaico
segue o sistema lunar e não o calendário solar reajustado
por São Jerônimo.; - Deixar um resto de grãos nas lavouras
para os pobres catarem ou colherem é também uma tradição bíblica
e judaica; - Tradição e costume de não jogar nada fora e aproveitar
tudo, não havendo desperdício de nada. É uma tradição do povo
judeu; - Fama de usurário. Isto é, praticar o ato de usura,
abrangendo não só o lado comercial de empréstimos financeiros,
mas também de objetos e coisas. Desde a Idade Antiga, os judeus
se destacaram entre os outros povos pelo o empréstimo de dinheiro.
Na Idade Média, na Espanha, eles detinham o poder e o controle
econômico. São considerados os primeiros banqueiros; - A atração
por comércio e por pedras preciosas, destacando o ouro e prata.
Este foi uns dos motivos que eles vieram para as Minas Gerais.
Acabaram por aqui ficando e se interiorizando. Por isso, houve
concentração deles nos arredores de Ouro Preto, Mariana, Ponte
Nova, etc. localizando-se mais tarde na zona da mata Mineira;
- Se comparados com seus vizinhos, se destacavam-se pelo excesso
de trabalho, ganância e por sua inteligência; - Faziam questão
de manterem-se unidos, herdando a tradição de celebração de
festas em família. Educavam-se seus filhos nos melhores colégios,
normalmente, de irmandades religiosas. Tal costume é muito
antigo, desde o tempo da perseguição inquisitória em Portugal.
A fim de despistar sua identidade judaica, afirmando-se que
eram verdadeiros cristãos-novos, colocavam seus filhos em
escolas católicas; - Mesmo quando se ocupavam do comércio
e da agricultura, mantinham certos traços de fina educação
e cultura. Era costume da época também contratar professores
e mestres particulares para educação dos filhos. Gostavam
de andar bem vestidos e compravam suas roupas importadas ou
nos grandes centros comerciais, como na cidade do Rio de Janeiro.
Sempre e até hoje os judeus se destacam na medicina, física,
astrofísica e na ciência em geral; - Ninguém pode negar a
religiosidade do povo mineiro. Embora eu defendo a tese que
a maioria dos descendentes de cristãos-novos nunca foram realmente
católicos praticantes. Eram um povo de fé, mas não santos
e nem imagens. No judaísmo o ato de idolatria, segundo a bíblia,
é totalmente abominável a D-us. ( Êxodo 20:3-5). Mas algumas
tradições como pedir a benção aos pais na hora da saída e
chegada em casa era até pouco tempo atrás uma boa tradição
mineira. Pedir benção e abençoar é uma típica tradição bíblica
e judaica; - Passar a mão na cabeça no sentido de perdoar,
acarinhar ou igonorar uma falta de alguém, é também um tipo
de benção judaica; - Varrer a casa da porta para dentro é
um costume arraigado até os dias de hoje; - Matar o animal
sangrando, isto é, drenando todo o sangue. Um dos mandamentos
mais praticados no judaísmo é não comer sangue (Levítico 7:26;
Deteuronômio 12:16; Atos 15:20, etc.). Este costume não era
observado pelos povos pagãos; - Passar o mel na boca. É também
uma tradição judaica, pois na circuncisão o rabino passa mel
na boca da criança para evitar o choro; - Lavar os mortos
era um costume dos mineiros interioranos; - Jogar um punhado
de terra sobre o caixão quando este é descido à sepultura;
- O famoso “D-us te crie”após o espiro de alguém é uma herança
judaica da frase “Hayim Tovim”, que pode ser traduzido como
boas Vidas; - Jurar pelo eterno descanso de uma pessoa morta
querida, como jurar pela alma de meu pai, minha mãe, ainda
é um reduto do povo hebreu; - É muito comum o hábito sertanejo,
antes de beber, derramar parte do copo ou do cálice para o
“santo”. Na verdade esta tradição tem origem no rito milenar
hebreu de reservar na festa de Pessach ( Páscoa) um pouco
do vinho para o profeta Elias.O ato de derramar uma porção
da bebida se chama libação; - Uso da barba cerrada sempre
foi o costume judaico. Embora também ter sido este costume
muito freqüente no período colonial; - Evitavam trabalhar
aos sábado. Era o dia do banho bem tomado, quando vestiam
roupas novas; - O uso da expressão “que massada!” é muito
usada pelos mineiros para explicar uma tragédia em alusão
a fortaleza de Massada, perto do Mar Morto, quando após a
expulsão dos judeus nos anos 70 d.C., os zelotes habitaram
nesta fortaleza, quando no final de dois anos, cometeram suicídio
em massa para se livrarem de cair nas mãos dos romanos. Esta
história é retratada pelo historiador da época, Flávio Josefo;
- O emprego do termo “Siza”vem do hebraico “sizah”quando vai
se pagar o imposto. Isto é, pagar a siza; - Entrar e sair
pela mesma porta para trazer felicidade; - Emprego do verbo
“judiar”vem do tempo da Inquisição, quando maltratavam e perseguiam
os judeus. Tem o sentido de torturar, atormentar; - Fazer
mezuras, ou reverência a “mezuzah” , estatuto bíblico (Deteuronômio
6:4-9), quando [é ordenado aos judeus colocar uma caixinha
de madeira nos umbrais das portas, contendo um pedacinho do
texto de Deuteronômio, quando se diz o “Shemah Israel”; -
O termo carapuça, como, a carapuça serviu para fulano de tal
é uma expressão que vem da época da inquisição. Na idade média
os judeus usavam chapéus alongados ou de três pontas para
se diferenciarem dos outros não judeus; - Experimentar o fio
da faca na unha do animal antes do abate, também é um costume
judaico; - Lavar as mãos quer no sentido de inocência ou quer
no sentido de higiene antes as refeições são preceitos bíblicos
e judaicos ( Dt 21:6-7;Sl 73:13; Mt 15:2). Estes costumes
são claras evidências da influência judaica trazidas pelos
cristãos-novos que habitaram em Minas Gerais e ninguém pode
negar estes fatos históricos, ignorando-os.
<<<Voltar
LEIA
MAIS...
Em 1591 nomeou-se o primeiro comissário
do Santo Ofício, Heitor F. de Mendonça o qual chegou na Bahia
no dia 09 de Junho. Oficialmente o decreto de instituição
da Inquisição em Portugal e nos países do Reino só aconteceu
no dia 31 de Março de 1821. Entretanto, a separação entre
Igreja e Estado no Brasil só ocorreu em 1891, na primeira
constituição republicana, quando o direito de crer ou não
crer foi respeitado. Podemos afirmar sem sombra de dúvida,
de que o Brasil foi o país do mundo onde a Inquisição durou
por mais tempo, 381 anos se considerarmos a data do descobrimento
que ocorreu nos primórdios da introdução da Inquisição em
Portugal. As comunidades judaicas se localizavam preferencialmente
em cinco Estados. Iniciou-se na Bahia, Pernambuco, Paraíba.
Mais tarde, no Rio de Janeiro e Minas Gerais, o Estado que
mais se destacou no Brasil no século XVIII e no mundo, quando
a notícia da garimpagem do ouro nos seus rios tornou-se e
uma sonho para muitos aventureiros. As idéias iluministas
da Revolução Francesa, trazendo uma nova ordem institucional,
refletiu diretamente nesta capitania, destacando os famosos
e ilustres inconfidentes mineiros, entre os quais, os cristãos-novos
descendentes dos judeus portugueses que desempenharam relevantes
papéis na independência que mais tarde viria. Abaixo consta
a relação de cristãos-novos de Minas Gerais que foram julgados
pela Inquisição de Minas Gerais (estes processos foram analisados
pela historiadora Neuza Fernandes da Universidade do Estado
do Rio de Janeiro conforme o livro de sua autoria denominado
“A Inquisição em Minas Gerais no século XVIII”. Processos
de Inquisição em Lisboa 1. Agostinho José de Azevedo nº 8.670
2. Antônio de Sá Tinoco nº 2.490 3. David Mendes da Silva
nº 2.134 4. Diogo Lopes Simões nº 8.209 5. Domingo Nunes nº
1.779 6. João de Moraes Montezinhos nº 11.769 7. João Luiz
de Mesquita nº 8.018 8. José Nunes nº 430 9. Luiz Vaz de Oliveira
nº 9.469 10. Luzia Pinto nº 252 11. Manuel Gomes de Carvalho
nº 7.760 12. Martinho da Cunha nº 8.109 13. Miguel Nunes Sanches
nº 8.112 14. David de Miranda nº 7.489 Todos esses processados
foram acusados de crime de judaísmo entre 1712 e 1763. Também
através desses processos, Neuza Fernandes constatou a importância
dos cristãos novos que detinham o poder nas transações financeiras
e comerciais da região. Neles estão registrados dívidas e
empréstimos por compras e vendas de mercadorias, de imóveis,
gados, escravos, ouro e diamantes. Milhares de cristãos novos
tornaram-se prósperos e bem sucedidos cidadãos do Estado.
Era comum nesta época a ocupação de terras devolutas. Inicialmente,
estas famílias marranas moravam nas imediações de Ouro Preto,
Mariana, Sabará , Serro Frio, Brumado. Mais tarde, começaram
a imigrar para outras regiões que mais tarde receberiam o
nome de Jequerí, Ponte-Nova, Rio Casca, Caatinga, localizadas
mais na zona da mata mineira. Outras imigraram-se para o norte
do Estado, motivados pelo ouro de aluvião no Rio das Velhas
e minas de prata em Sete Lagoas. Mais ao norte, a região de
Diamantina e Araçuarí se destacariam pela abundância de pedras
preciosas. Borba Gato, genro de Fernão Dias Paes, foi destacado
para seguir o Rio dos Velhos em estudo. Prosseguindo, alcançou
Paraopeba fundando o arraial de Santana, onde permaneceu por
alguns anos. Prosseguindo mais para o norte, chega ao sumidouro,
no Serro Frio, onde fundou mais arraiais. Nesta época, surgiam
os arraiais de Baependi, Matias Cardoso, Olhos d’água, Montes
Claros, Conquista etc. A expedição dos bandeirantes ligou,
finalmente, o norte com o sul, do Serro Frio para Bahia e
São Paulo. A descoberta do precioso metal continuou. Sua descoberta
inicial data de 1693 com Borba Gato Entretanto, expedições
de Fernão Dias, Duarte Lopes descobriram o ouro nas imediações
de Mariana. Destaca-se também na região das Minas Gerias,
a presença do cristão novo Antônio Rodrigues Arzão (Hazán
– que em hebraico quer dizer “Cantor” das rezas nas sinagogas)
no descobrimento do nobre metal em 1643. (3) Pedroso da Silveira
e Bartolomeu Bueno de Siqueira foram aqueles que apresentaram
as amostras de ouro das Minas Gerais ao Governador do Rio
de Janeiro, Antônio Paes de Sande, e a partir do seu sucessor
(Sebastião da Costa Caldas), essas amostras foram enviadas
a D. Pedro, o El-Rei, em 1695. A partir de 1705 a região da
mineração sob o domínio dos paulistas. Estima-se que a corrida
do ouro levava anualmente para Minas de 8 a 10 mil pessoas
norteadas pala visão das serras brilhantes, ricas em mica?
, cujo brilho se confundiria com o do ouro. Assim, o sertão
mineiro era cada vez mais devastado na região do pico Itacolomí.
O propósito deste pequeno relato histórico e continuar a presença
dos cristãos novos na expansão comercial deste precioso metal,
que acabaram habitando muitas terras após o apogeu do ouro
e diamante que ocorreu no período de 1750 a 1760 estendendo
até a virada do século. Consequentemente, novos caminhos do
ouro iam surgindo. Os mais conhecidos foram o Velho, o da
Bahia, o de São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco. Mais tarde,
surgiram os caminhos para Goiás e Mato Grosso. De São Paulo
para o Rio Grande do Sul a rede hidrográfica foi bastante
utilizada. O ouro descoberto descia das Minas Gerais pela
Serra da Bocaína e escoava pelo porto do Rio de Janeiro. Este
trecho ficou conhecido como o Caminho Velho. O segundo caminho
do Rio para Minas ficou conhecido como o Caminho Novo e se
tornou a grande Estrada Real, que passou a ser o principal
Caminho do Ouro. Sua construção iniciou em 1648 por Garcia
Rodrigues a pedido do Governador do Rio. O percurso seguiu
pela Serra da Mantiqueira e a Serra do Espinhoso até o registro
velho e a borda do campo (município de Barbacena), passando
por Palmira (Santos Dumont). Depois, seguia-se em direção
à Juiz de Fora, Matias Barbosa, Simão Pereira, Três Irmãos,
Rocinha da Negra, paraibuna. Do outro lado do rio Paraíba,
o Caminho seguia em direção à Roça do Alferes, Serra do Couto,
Tinguá (no pé da Serra), Iguaçu Velho alcançando a Bahia da
Guanabara até o Porto do Rio de Janeiro. Este caminho possibilitou
o povoamento de Minas e o escoamento do Ouro para a coroa
portuguesa. A Inquisição não havia acabado e, por isso, os
judeus cristãos-novos temendo as súbitas perseguições e acusações,
procuravam as montanhas de Minas, mais distante do Porto do
Rio e mais seguro, para ali se estabelecerem com suas famílias.
As regiões de origem dos cristãos-novos que imigraram para
Minas Gerais podem ser identificadas como sendo: 1. Após o
Domínio Holandês no Brasil (1654): Pernambuco => Bahia =>
Minas Gerais. No início, pelo rio São Francisco e, mais tarde,
pelos caminhos Velho e Novo, Rio para Minas 2. Direto de Portugal.
3. A partir de 1705, quando as minerações passaram para o
domínio dos jesuítas. Entretanto, pelas minhas pesquisas,
a maior parte dos cristãos-novos foram provenientes da Bahia/Rio/Minas,
uma vez que a primeira comunidade judaica ocorreu durante
o domínio holandês na Bahia e Pernambuco. Pelos processos
inquisitoriais, analisando a procedência dos processados,
deduz-se que a maioria deles eram oriundos da Bahia, Minas
e Rio de Janeiro. Quando as Minas começaram a se esgotar,
depois de três décadas de grande produção (1750/80), a vila
virou um humilde povoado. Os mineiros, então, que não tinham
mais raízes no norte ou mesmo no sul, passaram a procurar
outras atividades, deslocando-se para terras mais férteis
da Zona da Mata ou para os campos de criação de gado. Isaac
Izeckson (4) calcula que a imigração para Minas chegou a 800.000
indivíduos, sendo que a metade era um expressivo número de
cristãos-novos. Augusto de Lima Júnior também confirma este
grande número de contingente de cristãos-novos que abandonaram
Portugal, sobretudo o norte, para se radicar em Minas. “Na
verdade, Portugal sofreu a maior Sangria Migratória para as
Minas Gerais. Foram multidões de cristãos-novos portugueses
que atravessavam os oceanos, montanhas e florestas cerradas,
para justamente com os africanos, fazerem a história de um
povo”, afirma Neuza Fernandes. (5) Abaixo, alguns exemplos
de cristãos-novos, grandes atacadistas e agentes financeiros
do Estado de Minas Gerais: § David de Miranda, português,
morador em Ribeirão do Carmo, hoje Mariana, durante os anos
de 1721 a 1724. Foi importador de tecidos de Lisboa em empreendimento
com seu irmão Francisco, estendeu esse negócio até as Minas.
Concomitantemente, aliou-se ao cunhado, Diogo de Ávila Henriques,
que, por sua vez, era sócio do primo Diogo de Ávila. Outros
primos, Gaspar Henriques e Jerônimo Rodrigues mantinham ativo
comércio entre Minas e Bahia, incluindo roupas e tecidos.
§ Damião Roiz Moeda, tinha negócio de transporte de cargas
de negros, chapéus e escravos do Rio de Janeiro para Minas
Gerais. Era sócio do cunhado, João Roiz Vizeu, e do proprietário
de engenho João Roiz do Vale, que financiou a sociedade estabelecida
na base de um terço dos lucros para cada um. § Francisco Nunes
de Miranda, (o nobre nome “Nunes” tem origem do hebraico “Ben
Num” – “Filho de Num”; o sobrenome “Miranda” vem da importante
cidade da fronteira de Portugal com a Espanha, a qual recebeu
a maior quantidade de judeus expulsos da Espanha em 1492).
Cristão-novo. Foi médico e rico comerciante, com domicílio
na Bahia, Rio e Minas (cidade – Mariana). Mantinha relações
comerciais com Francisco Pinheiro e com outro parente, Joseph
de Castro, que transportava escravos da costa de Mina e de
Angola para o Brasil. Foi o primeiro cristão-novo preso no
século XVIII no Brasil pela Inquisição – Processo Número:
1.292. (6) § Manuel Nunes Viana, rico comerciante e homem
de negócio de ouro, escravos, terras e gado, sediando na fazenda
de Jequitaí, em sociedade com seu primo Luiz Soares. § Miguel
Telles da Costa tinha relações comerciais nas praças de Minas,
Rio e Portugal. Associado ao seu sobrinho, concentrou suas
atividades na região do rio das Mórtes mais ao sul, próximo
a Curralinhos e Itaperava – MG. § João de Moraes Montezinhos,
tinha em Minas, negócios com seu cunhado, trabalhando com
carregamentos e recebendo uma percentagem de 5% sobre as vendas.
Antônio Fernandes Peredes, mineiro atuante. Associou-se a
outros dois cristãos-novos nas Minas de Arassuaí e Serro Frio.
Dentre os profissionais liberais, também podem-se citar: o
médico Antônio Ribeiro Sanches que tinha um consultório em
Ouro Preto com o colega Diogo Corrêa do Vale, ambos associados
ao farmacêutico João Henriques. Também o médico João Nunes
Vizeu mantinha sociedade para carregamentos de escravos. Manuel
Mendes da Silva, sócio do comércio em Mariana, Francisco de
Paredes, Caxeiro, Diogo Dias Corrêa, negociante de pedras
e diamantes em Serro Frio e muitos outros.
<<<Voltar
LEIA
MAIS...
|