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Algumas familias Mineiras, Tradições e Costumes

Marcelo M. Guimarães

Gostaria de dedicar este capítulo aos descendentes de judeus, marranos e cristãos-novos, que residiram no Estado de Minas Gerais, não desmerecendo com isto, a significante presença deste povo no Estado da Bahia, Pernambuco e Paraíba, por exemplo. Com dissemos, anteriormente, as Minas Gerais de ouro, esmeralda e diamantes atraíram os judeus e cristãos-novos, que vieram dos estados do norte brasileiro, de Portugal e de outros países, como Espanha e Itália. O grande fato é que o elemento judeu deixou um relevante legado no caldeamento étnico do Brasil colônia. Por isso, o tronco étnico do povo brasileiro é riquíssimo e, pode até ser considerado um fenômeno, a miscigenação de raças e costumes. O escritor Manuel Diegues Júnior expõe no seu livro “Regiões Culturais do Brasil”o seguinte parágrafo:...”A esses grupos portugueses ou lusos brasileiros ou, pelo menos mestiços com algum sangue português, ajuntaram-se os estrangeiros que foram em grande número nas Minas. À presença deles já se referia Antonil: confirmam essa participação as modernas pesquisas do Professor Manuel Cardoso. Embora não sendo em grande número, segundo informa o professor Cardoso, exerceram os estrangeiros, influência significativa na economia e na vida social da região. E, acrescenta Gilberto Freire que tudo parece indicar teriam sido esses estrangeiros, principalmente, negociantes, usuários ou intermediários, vários Deles judeus ou israelitas. De judeus sabe-se que foram numerosos os que apareceram e fixaram em Minas Gerais. Augusto de Lima Júnior, no seu estudo sobre Minas, localizou as maiores aglomerações de judeus: Paracatu, Serro Frio, Sabará, Pitangui, aredores de Ouro Preto e Mariana. O que não exclui outros pontos, ou todos os pontos mineiros por onde se espalharam como donos de comércio, rancheiros, compradores de ouro de contrabando, cambueiros de negros e ambulantes mascates. Chegaram os israelitas a constituir verdadeiros guetos, ainda hoje reconhecidos pela inexistência de capelas, em suas ruínas. Através de casamentos com portuguesas ou lusa-brasileiras, acabaram-se diluindo-se na população, inclusive participando de irmandades religiosas...”(1) Segundo a autora do livro “A Inquisição em Minas Gerais”, Neusa Fernandes, da Editora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, podemos ver claramente através do seu trabalho de pesquisa junto a cartórios, documentos antigos, etc. a relação de algumas das cidades mineiras e seus moradores registrados como cristãos-novos no período de 1712 e 1763. (Devido ao volume de nomes e sobrenomes, gostaria apenas de citar as cidades e os sobrenomes que foram de maior ocorrência). Em Brumado: a família Azevedo. Em Cachoeira: Pereira da cunha, Fernandes de Matos, Rodrigues, Moreira, Henriques, Nunes e Sanches. Em Caeté: Nunes Ribeiro, Bicudo, Barros e Fonseca. Em Catas Altas: Ferreira Izidro (Isidoro), Pereira Chaves. Em Congonhas do Campo: Moraes e Oliveira. Em Córredo do Pau das Minas de Arasualhy: Pereira, Ávila e Fernandes Pereira. Em Curralinho: Miranda, Roiz, Rodrigues, Nunes, Henriques, Lopes Álvares,, Mendes e Mendonça. Em Diamantina ( antigo Tijuco):Ribeiro Furtado, Fernandes, Dias Correa, Rodrigues e Nunes. Em Fornos: Rodrigues Cardoso. Em Itaperava: Sá Tinoco. Em Minas de Arassuahi: Fernandes Pereira, Costa e Silva e Henriques. Em Em Minas Novas de Fanados: Lara, Fonseca da Costa e Ferreira. Em Minas Novas de Paracatu: Ribeiro Sanches, Henriques, Nunes e Britto Ferreira. Em Ouro Branco: Lopes. Em Ouro Preto ( antiga vila Rica): Miranda, Fernandes, Pereira, Nunes Gomes, Fróes, Rodrigues, Moraes, Costa, Cruz, Mendes, Almeida, Vale, Roiz e Martins. Em Parapanema: Afonso e Miguel. Em Pitangui: Pereira da cunha, Rodrigues, Roiz, Nogueira, Silveira, Bicudo e Henriques. Em Ribeirão do Carmo ( Mariana): Miranda, Almeida de Sá, Dias Fernandes, Rodrigues Pinto, Roiz, Cardoso, Pereira Chaves, Oliveira Mattos, Pereira da Cunha e Mendes. Em Rio das Mortes: Miranda, Azevedo, Vale, Machado Coelho, Pereira de Araújo, Lara, Nunes Alves, Benar, Vizeu Em Sabará: Miranda, Oliveira, Matos Henriques, Lucena Montarroio, Rodrigues Pinto, Nunes de Almeida, Henriques, Ferreira, Costa, Mendes de Sá e Ferreira Isidoro. Em São Caetano: Rodrigues. São Jerônimo: Rodrigues de Faria. Em Serro Frio: Cunha, Medanha Sottomaior, Sá de Almeida, Fernandes Pereira, Ribeiro Furtado, Gomes Nunes, Costa Pereira, Lopes de Mesquita, Paes Barreto. Em Sumidouro: Fróis A relação das cidades e sobrenomes acima constitui apenas um exemplo dos mais evidentes, não significando necessariamente, que não existam outros sobrenomes utilizados pelos cristãos-novos, bem como em outras localidades. Da mesma forma, não quer dizer que todo sobrenome Fernandes, Oliveira ou Pereira sejam necessariamente também de cristãos-novos. TRADIÇÕES E COSTUMES Antes de abordar o tópico acima, gostaria de mencionar um pouco algumas semelhanças antropométricas do povo interiorano mineiro citado por Elias José Lourenço em seu livro “Judeus: os povoadores do Brasil colônia” (2), tais como: ...” face longa e estreita ( cara de cavalo; alcunha feita aos mineiros em referência ao aspecto físico da face longa e estreita). O índice cefálico nos deixa a primeira impressão de dolicocefalia; cabelos e olho, quando não escuros, são castanhos; a estrutura no geral é pequena: entre 1,60 e 1,68metros. O nariz perdeu muito da convexidade, mas não deixa de ser leptorrino na maioria dos casos. É claro que a estereotipagem de um perfil humano é levado por via da antropometria não deixa de soar ridículo, principalmente, quando se refere aos povos do novo mundo, ainda mais se tratando do povo brasileiro, uma raça tão miscigenada. Mas, em resposta aos argumentos e tendências racista de certos historiadores legaram para a história do elemento povoador e colonizador do Brasil, às vezes, é preciso o extremo de usar as mesmas táticas para mostrar exatamente a outra face de verdade outrora falseada da nossa história. Sobre o aspecto étnico-cultural do mesmo povo supra citado, os mineiros descendentes dos emboabas, reinóis e numerosos pernambucanos e baianos chegaram para as Minas Gerais pelos caminhos do São Francisco, não é difícil identificar muitas semelhanças com a cultura e com alma do povo judeu; trocadilhos estabelecidos para os mineiros dando-lhes características, tais como: “todo mineiro é pão duro”... ou diz-se ser “o mineiro não abre a mão nem para dar tchau”..., são formas de caracteriza-los como semíticos, ou uma forma bem humorada da identificação entre as diversas culturas, longe de serem expressões pejorativas. O fato é que a alcunha de pão-duro é empregada a dois povos aqui no Brasil: Aos mineiros e aos judeus. Seria esta mesma identificação uma herança étnica que os mineiros herdaram dos judeus e cristãos-novos, quando cresceu o afluxo destes para a região de Minas no final do século XVII e começo do século XVIII?” Dentro de alguns costumes, eu mesmo me lembro bem de meus antepassados que viveram no interior de Minas, como: - Tradição de casamento com consangüíneos por longas gerações, desde os tataravôs, bisavós, avós e pais. Era comum so pais escolherem o noivo ou a noiva para seus filhos; - Tradição de seguir as fases da lua (Salmos 104:19), correlacionando-as com o ciclo agrícola. Para quem não sabe isto é bíblico, como por exemplo a Festa da Lua Nova ( Colossenses 2:16) para marcar a entrada do novo mês. O calendário judaico segue o sistema lunar e não o calendário solar reajustado por São Jerônimo.; - Deixar um resto de grãos nas lavouras para os pobres catarem ou colherem é também uma tradição bíblica e judaica; - Tradição e costume de não jogar nada fora e aproveitar tudo, não havendo desperdício de nada. É uma tradição do povo judeu; - Fama de usurário. Isto é, praticar o ato de usura, abrangendo não só o lado comercial de empréstimos financeiros, mas também de objetos e coisas. Desde a Idade Antiga, os judeus se destacaram entre os outros povos pelo o empréstimo de dinheiro. Na Idade Média, na Espanha, eles detinham o poder e o controle econômico. São considerados os primeiros banqueiros; - A atração por comércio e por pedras preciosas, destacando o ouro e prata. Este foi uns dos motivos que eles vieram para as Minas Gerais. Acabaram por aqui ficando e se interiorizando. Por isso, houve concentração deles nos arredores de Ouro Preto, Mariana, Ponte Nova, etc. localizando-se mais tarde na zona da mata Mineira; - Se comparados com seus vizinhos, se destacavam-se pelo excesso de trabalho, ganância e por sua inteligência; - Faziam questão de manterem-se unidos, herdando a tradição de celebração de festas em família. Educavam-se seus filhos nos melhores colégios, normalmente, de irmandades religiosas. Tal costume é muito antigo, desde o tempo da perseguição inquisitória em Portugal. A fim de despistar sua identidade judaica, afirmando-se que eram verdadeiros cristãos-novos, colocavam seus filhos em escolas católicas; - Mesmo quando se ocupavam do comércio e da agricultura, mantinham certos traços de fina educação e cultura. Era costume da época também contratar professores e mestres particulares para educação dos filhos. Gostavam de andar bem vestidos e compravam suas roupas importadas ou nos grandes centros comerciais, como na cidade do Rio de Janeiro. Sempre e até hoje os judeus se destacam na medicina, física, astrofísica e na ciência em geral; - Ninguém pode negar a religiosidade do povo mineiro. Embora eu defendo a tese que a maioria dos descendentes de cristãos-novos nunca foram realmente católicos praticantes. Eram um povo de fé, mas não santos e nem imagens. No judaísmo o ato de idolatria, segundo a bíblia, é totalmente abominável a D-us. ( Êxodo 20:3-5). Mas algumas tradições como pedir a benção aos pais na hora da saída e chegada em casa era até pouco tempo atrás uma boa tradição mineira. Pedir benção e abençoar é uma típica tradição bíblica e judaica; - Passar a mão na cabeça no sentido de perdoar, acarinhar ou igonorar uma falta de alguém, é também um tipo de benção judaica; - Varrer a casa da porta para dentro é um costume arraigado até os dias de hoje; - Matar o animal sangrando, isto é, drenando todo o sangue. Um dos mandamentos mais praticados no judaísmo é não comer sangue (Levítico 7:26; Deteuronômio 12:16; Atos 15:20, etc.). Este costume não era observado pelos povos pagãos; - Passar o mel na boca. É também uma tradição judaica, pois na circuncisão o rabino passa mel na boca da criança para evitar o choro; - Lavar os mortos era um costume dos mineiros interioranos; - Jogar um punhado de terra sobre o caixão quando este é descido à sepultura; - O famoso “D-us te crie”após o espiro de alguém é uma herança judaica da frase “Hayim Tovim”, que pode ser traduzido como boas Vidas; - Jurar pelo eterno descanso de uma pessoa morta querida, como jurar pela alma de meu pai, minha mãe, ainda é um reduto do povo hebreu; - É muito comum o hábito sertanejo, antes de beber, derramar parte do copo ou do cálice para o “santo”. Na verdade esta tradição tem origem no rito milenar hebreu de reservar na festa de Pessach ( Páscoa) um pouco do vinho para o profeta Elias.O ato de derramar uma porção da bebida se chama libação; - Uso da barba cerrada sempre foi o costume judaico. Embora também ter sido este costume muito freqüente no período colonial; - Evitavam trabalhar aos sábado. Era o dia do banho bem tomado, quando vestiam roupas novas; - O uso da expressão “que massada!” é muito usada pelos mineiros para explicar uma tragédia em alusão a fortaleza de Massada, perto do Mar Morto, quando após a expulsão dos judeus nos anos 70 d.C., os zelotes habitaram nesta fortaleza, quando no final de dois anos, cometeram suicídio em massa para se livrarem de cair nas mãos dos romanos. Esta história é retratada pelo historiador da época, Flávio Josefo; - O emprego do termo “Siza”vem do hebraico “sizah”quando vai se pagar o imposto. Isto é, pagar a siza; - Entrar e sair pela mesma porta para trazer felicidade; - Emprego do verbo “judiar”vem do tempo da Inquisição, quando maltratavam e perseguiam os judeus. Tem o sentido de torturar, atormentar; - Fazer mezuras, ou reverência a “mezuzah” , estatuto bíblico (Deteuronômio 6:4-9), quando [é ordenado aos judeus colocar uma caixinha de madeira nos umbrais das portas, contendo um pedacinho do texto de Deuteronômio, quando se diz o “Shemah Israel”; - O termo carapuça, como, a carapuça serviu para fulano de tal é uma expressão que vem da época da inquisição. Na idade média os judeus usavam chapéus alongados ou de três pontas para se diferenciarem dos outros não judeus; - Experimentar o fio da faca na unha do animal antes do abate, também é um costume judaico; - Lavar as mãos quer no sentido de inocência ou quer no sentido de higiene antes as refeições são preceitos bíblicos e judaicos ( Dt 21:6-7;Sl 73:13; Mt 15:2). Estes costumes são claras evidências da influência judaica trazidas pelos cristãos-novos que habitaram em Minas Gerais e ninguém pode negar estes fatos históricos, ignorando-os.

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Em 1591 nomeou-se o primeiro comissário do Santo Ofício, Heitor F. de Mendonça o qual chegou na Bahia no dia 09 de Junho. Oficialmente o decreto de instituição da Inquisição em Portugal e nos países do Reino só aconteceu no dia 31 de Março de 1821. Entretanto, a separação entre Igreja e Estado no Brasil só ocorreu em 1891, na primeira constituição republicana, quando o direito de crer ou não crer foi respeitado. Podemos afirmar sem sombra de dúvida, de que o Brasil foi o país do mundo onde a Inquisição durou por mais tempo, 381 anos se considerarmos a data do descobrimento que ocorreu nos primórdios da introdução da Inquisição em Portugal. As comunidades judaicas se localizavam preferencialmente em cinco Estados. Iniciou-se na Bahia, Pernambuco, Paraíba. Mais tarde, no Rio de Janeiro e Minas Gerais, o Estado que mais se destacou no Brasil no século XVIII e no mundo, quando a notícia da garimpagem do ouro nos seus rios tornou-se e uma sonho para muitos aventureiros. As idéias iluministas da Revolução Francesa, trazendo uma nova ordem institucional, refletiu diretamente nesta capitania, destacando os famosos e ilustres inconfidentes mineiros, entre os quais, os cristãos-novos descendentes dos judeus portugueses que desempenharam relevantes papéis na independência que mais tarde viria. Abaixo consta a relação de cristãos-novos de Minas Gerais que foram julgados pela Inquisição de Minas Gerais (estes processos foram analisados pela historiadora Neuza Fernandes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro conforme o livro de sua autoria denominado “A Inquisição em Minas Gerais no século XVIII”. Processos de Inquisição em Lisboa 1. Agostinho José de Azevedo nº 8.670 2. Antônio de Sá Tinoco nº 2.490 3. David Mendes da Silva nº 2.134 4. Diogo Lopes Simões nº 8.209 5. Domingo Nunes nº 1.779 6. João de Moraes Montezinhos nº 11.769 7. João Luiz de Mesquita nº 8.018 8. José Nunes nº 430 9. Luiz Vaz de Oliveira nº 9.469 10. Luzia Pinto nº 252 11. Manuel Gomes de Carvalho nº 7.760 12. Martinho da Cunha nº 8.109 13. Miguel Nunes Sanches nº 8.112 14. David de Miranda nº 7.489 Todos esses processados foram acusados de crime de judaísmo entre 1712 e 1763. Também através desses processos, Neuza Fernandes constatou a importância dos cristãos novos que detinham o poder nas transações financeiras e comerciais da região. Neles estão registrados dívidas e empréstimos por compras e vendas de mercadorias, de imóveis, gados, escravos, ouro e diamantes. Milhares de cristãos novos tornaram-se prósperos e bem sucedidos cidadãos do Estado. Era comum nesta época a ocupação de terras devolutas. Inicialmente, estas famílias marranas moravam nas imediações de Ouro Preto, Mariana, Sabará , Serro Frio, Brumado. Mais tarde, começaram a imigrar para outras regiões que mais tarde receberiam o nome de Jequerí, Ponte-Nova, Rio Casca, Caatinga, localizadas mais na zona da mata mineira. Outras imigraram-se para o norte do Estado, motivados pelo ouro de aluvião no Rio das Velhas e minas de prata em Sete Lagoas. Mais ao norte, a região de Diamantina e Araçuarí se destacariam pela abundância de pedras preciosas. Borba Gato, genro de Fernão Dias Paes, foi destacado para seguir o Rio dos Velhos em estudo. Prosseguindo, alcançou Paraopeba fundando o arraial de Santana, onde permaneceu por alguns anos. Prosseguindo mais para o norte, chega ao sumidouro, no Serro Frio, onde fundou mais arraiais. Nesta época, surgiam os arraiais de Baependi, Matias Cardoso, Olhos d’água, Montes Claros, Conquista etc. A expedição dos bandeirantes ligou, finalmente, o norte com o sul, do Serro Frio para Bahia e São Paulo. A descoberta do precioso metal continuou. Sua descoberta inicial data de 1693 com Borba Gato Entretanto, expedições de Fernão Dias, Duarte Lopes descobriram o ouro nas imediações de Mariana. Destaca-se também na região das Minas Gerias, a presença do cristão novo Antônio Rodrigues Arzão (Hazán – que em hebraico quer dizer “Cantor” das rezas nas sinagogas) no descobrimento do nobre metal em 1643. (3) Pedroso da Silveira e Bartolomeu Bueno de Siqueira foram aqueles que apresentaram as amostras de ouro das Minas Gerais ao Governador do Rio de Janeiro, Antônio Paes de Sande, e a partir do seu sucessor (Sebastião da Costa Caldas), essas amostras foram enviadas a D. Pedro, o El-Rei, em 1695. A partir de 1705 a região da mineração sob o domínio dos paulistas. Estima-se que a corrida do ouro levava anualmente para Minas de 8 a 10 mil pessoas norteadas pala visão das serras brilhantes, ricas em mica? , cujo brilho se confundiria com o do ouro. Assim, o sertão mineiro era cada vez mais devastado na região do pico Itacolomí. O propósito deste pequeno relato histórico e continuar a presença dos cristãos novos na expansão comercial deste precioso metal, que acabaram habitando muitas terras após o apogeu do ouro e diamante que ocorreu no período de 1750 a 1760 estendendo até a virada do século. Consequentemente, novos caminhos do ouro iam surgindo. Os mais conhecidos foram o Velho, o da Bahia, o de São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco. Mais tarde, surgiram os caminhos para Goiás e Mato Grosso. De São Paulo para o Rio Grande do Sul a rede hidrográfica foi bastante utilizada. O ouro descoberto descia das Minas Gerais pela Serra da Bocaína e escoava pelo porto do Rio de Janeiro. Este trecho ficou conhecido como o Caminho Velho. O segundo caminho do Rio para Minas ficou conhecido como o Caminho Novo e se tornou a grande Estrada Real, que passou a ser o principal Caminho do Ouro. Sua construção iniciou em 1648 por Garcia Rodrigues a pedido do Governador do Rio. O percurso seguiu pela Serra da Mantiqueira e a Serra do Espinhoso até o registro velho e a borda do campo (município de Barbacena), passando por Palmira (Santos Dumont). Depois, seguia-se em direção à Juiz de Fora, Matias Barbosa, Simão Pereira, Três Irmãos, Rocinha da Negra, paraibuna. Do outro lado do rio Paraíba, o Caminho seguia em direção à Roça do Alferes, Serra do Couto, Tinguá (no pé da Serra), Iguaçu Velho alcançando a Bahia da Guanabara até o Porto do Rio de Janeiro. Este caminho possibilitou o povoamento de Minas e o escoamento do Ouro para a coroa portuguesa. A Inquisição não havia acabado e, por isso, os judeus cristãos-novos temendo as súbitas perseguições e acusações, procuravam as montanhas de Minas, mais distante do Porto do Rio e mais seguro, para ali se estabelecerem com suas famílias. As regiões de origem dos cristãos-novos que imigraram para Minas Gerais podem ser identificadas como sendo: 1. Após o Domínio Holandês no Brasil (1654): Pernambuco => Bahia => Minas Gerais. No início, pelo rio São Francisco e, mais tarde, pelos caminhos Velho e Novo, Rio para Minas 2. Direto de Portugal. 3. A partir de 1705, quando as minerações passaram para o domínio dos jesuítas. Entretanto, pelas minhas pesquisas, a maior parte dos cristãos-novos foram provenientes da Bahia/Rio/Minas, uma vez que a primeira comunidade judaica ocorreu durante o domínio holandês na Bahia e Pernambuco. Pelos processos inquisitoriais, analisando a procedência dos processados, deduz-se que a maioria deles eram oriundos da Bahia, Minas e Rio de Janeiro. Quando as Minas começaram a se esgotar, depois de três décadas de grande produção (1750/80), a vila virou um humilde povoado. Os mineiros, então, que não tinham mais raízes no norte ou mesmo no sul, passaram a procurar outras atividades, deslocando-se para terras mais férteis da Zona da Mata ou para os campos de criação de gado. Isaac Izeckson (4) calcula que a imigração para Minas chegou a 800.000 indivíduos, sendo que a metade era um expressivo número de cristãos-novos. Augusto de Lima Júnior também confirma este grande número de contingente de cristãos-novos que abandonaram Portugal, sobretudo o norte, para se radicar em Minas. “Na verdade, Portugal sofreu a maior Sangria Migratória para as Minas Gerais. Foram multidões de cristãos-novos portugueses que atravessavam os oceanos, montanhas e florestas cerradas, para justamente com os africanos, fazerem a história de um povo”, afirma Neuza Fernandes. (5) Abaixo, alguns exemplos de cristãos-novos, grandes atacadistas e agentes financeiros do Estado de Minas Gerais: § David de Miranda, português, morador em Ribeirão do Carmo, hoje Mariana, durante os anos de 1721 a 1724. Foi importador de tecidos de Lisboa em empreendimento com seu irmão Francisco, estendeu esse negócio até as Minas. Concomitantemente, aliou-se ao cunhado, Diogo de Ávila Henriques, que, por sua vez, era sócio do primo Diogo de Ávila. Outros primos, Gaspar Henriques e Jerônimo Rodrigues mantinham ativo comércio entre Minas e Bahia, incluindo roupas e tecidos. § Damião Roiz Moeda, tinha negócio de transporte de cargas de negros, chapéus e escravos do Rio de Janeiro para Minas Gerais. Era sócio do cunhado, João Roiz Vizeu, e do proprietário de engenho João Roiz do Vale, que financiou a sociedade estabelecida na base de um terço dos lucros para cada um. § Francisco Nunes de Miranda, (o nobre nome “Nunes” tem origem do hebraico “Ben Num” – “Filho de Num”; o sobrenome “Miranda” vem da importante cidade da fronteira de Portugal com a Espanha, a qual recebeu a maior quantidade de judeus expulsos da Espanha em 1492). Cristão-novo. Foi médico e rico comerciante, com domicílio na Bahia, Rio e Minas (cidade – Mariana). Mantinha relações comerciais com Francisco Pinheiro e com outro parente, Joseph de Castro, que transportava escravos da costa de Mina e de Angola para o Brasil. Foi o primeiro cristão-novo preso no século XVIII no Brasil pela Inquisição – Processo Número: 1.292. (6) § Manuel Nunes Viana, rico comerciante e homem de negócio de ouro, escravos, terras e gado, sediando na fazenda de Jequitaí, em sociedade com seu primo Luiz Soares. § Miguel Telles da Costa tinha relações comerciais nas praças de Minas, Rio e Portugal. Associado ao seu sobrinho, concentrou suas atividades na região do rio das Mórtes mais ao sul, próximo a Curralinhos e Itaperava – MG. § João de Moraes Montezinhos, tinha em Minas, negócios com seu cunhado, trabalhando com carregamentos e recebendo uma percentagem de 5% sobre as vendas. Antônio Fernandes Peredes, mineiro atuante. Associou-se a outros dois cristãos-novos nas Minas de Arassuaí e Serro Frio. Dentre os profissionais liberais, também podem-se citar: o médico Antônio Ribeiro Sanches que tinha um consultório em Ouro Preto com o colega Diogo Corrêa do Vale, ambos associados ao farmacêutico João Henriques. Também o médico João Nunes Vizeu mantinha sociedade para carregamentos de escravos. Manuel Mendes da Silva, sócio do comércio em Mariana, Francisco de Paredes, Caxeiro, Diogo Dias Corrêa, negociante de pedras e diamantes em Serro Frio e muitos outros.

 

 

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